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segunda-feira, 23 de março de 2009

POR QUE SOU PRESBITERIANO? (3ª PARTE - POR SUA HISTÓRIA)



POR QUE SOU PRESBITERIANO?

III – POR SUA HISTÓRIA

Segundo J. V. D. Besselaar a História é “a ciência dos atos humanos do passado e dos vários efeitos que neles influíram, vistos em sua sucessão temporal”.

Esse conceito dá a dimensão da história de uma instituição. Quanto mais vasta e quanto mais cheia de atos, tanto mais digna de ser acreditada. Quanto mais pura, tanto mais duradoura. A História, como a verdade, é um metal que o tempo não oxida. E o perigo de oxidação é enorme. Os inovadores não se cansam (Rm 16.17; Ef 4 14); ITm 1.3; Hb 6.1, 11.27].

A Igreja Presbiteriana escreve uma história que é digna de um lida e meditada por pessoas de responsabilidade. Não somente pelos crentes que nela estejam arrolados, mas, também, pelos seus descendentes.

Até certa época, na história geral, a história do povo de Israel apresenta vestígios do Presbiterianismo. Dizer que já havia o sistema seria absurdo. Havia princípios em comum. E princípios marcantes. Com a sinagoga, da qual há evidências no livro de Reis (II Rs 4.23] já havia a assembléia dos fiéis, reunindo-se periodicamente, aos sábados, para leitura e pregação da Palavra (At 15.21).

O fato é que, ora em recesso, ora em evidência, tanto no país como no exterior, os princípios fundamentais do Presbiterianismo, hoje, acompanharam os israelitas por onde andavam.

Depois da dispersão do povo de Israel (Diáspora) o Presbiterianismo renasce na Igreja Cristã Primitiva, no primeiro século de nossa era. O livro de Atos dos Apóstolos, afirma uma autoridade, é o primeiro tratado de História da Igreja Presbiteriana. Vejam-se ali os contatos de Paulo com os presbíteros (no plural) das igrejas locais. Note-se que não era com um deles em preeminência, local ou regional (At 11.30; 14.23, 15.4.6, 23; 16.4; 20.17; 22.5; 24.1; 25.15).

O presbiterato foi cedo arrastado à luta pelo bispado. Foi um dos resultados do crescimento rápido da igreja Cristã. O bispado superou o presbiterato na luta.

O bispo cresceu. O presbítero entrou em recesso; mas, nunca se sujeitou inteiramente ao bispo. Conservou seu lugar secundário, mas preservou o espírito de Quem o criara.

De vez em quando surgia na Igreja um movimento contendo princípios que prestigiavam o presbítero. Eram idéias que, hoje, estão vinculadas ao Presbiterianismo.

No fim do século XIV João Wycliffe fundou na Inglaterra o Lolardismo. Homem eminente, suas idéias produziram abalo. O Loilardismo tinha alguns dos princípios puritanos. Os lolardos foram muito perseguidos. Seus crentes enfrentaram até a fogueira. Wycliffe foi desenterrado por ordem do Concilio de Constança em 1418 (44 anos depois de morto), queimados os seus ossos e a cinza atirada ao Rio Severn.

Em 1917, dando início ao movimento reformado, Lutero reabriu as portas para o retorno das praticas da Igreja Primitiva. Tendo ao seu lado homens de grande competência, como Melanchton, por exemplo, Lutero proclamou o princípio do sacerdócio universal dos crentes, retomado e reafirmado também pelo presbiterianismo. João Brenz e Fabricius Capito reanimaram o governo representativo, ba seado na doutrina do sacerdócio universal, em 1526, na Swabia e em 1535 em Franckfurt, respectivamente. Só tiraram o pó. A João Calvino caberia o triunfo deste principio. Jean Chauvin ou Cauvin ou Caulvin, nascido em Noyon, Franca, tinha oito anos quando Lutero proclamou a Reforma, em 1517. O rei Francisco I de França mandou caçar sem piedade os protestantes. Houve prisões, açoites, fogueira etc. As tropas de Carlos V haviam aprisionado Francisco I em Pávia, na Itália. A culpa dos ma-les da França foi atribuída aos hereges, os protestantes. O ódio religioso explodiu. João Calvino fugiu para a Suíça e ali realizou a obra de sua vida. A França transferiu sua oportunidade à Suíça!

João Calvino fora um estudante brilhante. Estudara em Paris, Orleans e Bruges. Em todos os lugares assinalara sua passagem. Aderiu ao protestantismo em 1528, quando jovem. Profundo conhecedor da Teologia, da Filosofia, das Línguas mortas, construiu o sistema presbiteriano nos moldes que prevalecem até hoje. As “Institutas”, obra publicada em 1536, são a sistematização do seu pensamento teológico. Dotado de personalidade excepcional — o que lhe custou experiências até contraditórias — criou uma situação especial em Genebra, Suíça, com reprodução em menor escala em Strasburgo, na Alsácia.

Seus princípios podem ser assim resumidos: a) não existe direito divino de rei; toda governança é um contrato com o povo; o povo tem direito de escolher sua própria forma de governo; e o voto é uma obrigação, mais do que um direito. Com tais princípios ele estabeleceu a experiência democrática de Genebra, cujo êxito foi a implantação do Presbiterianismo no mundo. Estava ressurgido o Presbiterianismo. Com ele foi restaurado o sacerdócio universal dos crentes. O ministro e o leigo nivelados. Onde houver desnível, a doutrina do sacerdócio universal dos crentes está desfigurada.

Uma história como essa, só pode ter custado muito caro a quem escreveu. A História Universal —— às vezes tão parcial — reconhece O que os ideais presbiterianos têm custado aos seus aderentes Sangue, muito sangue, confisco, banimento, abastardamento de filhos, exílio, carnificina em massa. França, Itália, Alemanha, Suécia, Países baixos, Espanha, Inglaterra são algumas nações em que estão fincados os marcos de sua tribulação.

Aí estão, também, os efeitos dos seus ideais. A democracia moderna. Um mundo em que muito se valoriza o voto popular. A rotatividade dos cargos. O acesso universal às posições de direção. O combate à tirania. A hierarquia grupal escolhida por eleição, como em nossos concílios. Isso, e todas as suas implicações.

É ou não é uma história que convence, que inspira?

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